domingo, 16 de dezembro de 2007

ALGUMAS "VELHAS GLÓRIAS"

Gostaria de apresentar alguns dos pioneiros da modalidade em Portugal. As "velhas glórias".
Com todos eles, a relação ultrapassou a típica relação treinador/aluno. Foram e são certamente meus amigos. A lista deveria ser longa (faltará muita gente), mas vou ter que limitá-la. Os aqui presentes, apareceram logo nos primeiros tempos e contribuíram para o desenvolvimento inicial do BF em Portugal. É de realçar o facto de alguns terem ido combater fora de Portugal.

Alexandre Novais (4 Set 66), um dos mais duros que treinei. Era quase impossível saber como e onde iria bater. Conheci Alex em Agosto de 1985. Pouco tempo depois, os seus irmãos Filipe e Luís fariam igualmente parte do clube. Creio (hoje ainda não tenho a certeza) que combatia em falsa guarda.
Na foto, Alex combatia em 12 de Maio de 1990, em 2ª série em França, contra François Collet.

José Torrão (26 Jul 70), ambidextro tecnicamente muito evoluído, aqui em exibição com Rui Farinha que já apresentei. Apesar de tudo, José chegou mais tarde ao clube, não sendo verdadeiramente um "pioneiro". É da mesma geração de atletas que João Ferreira (1990), veio do clube de São João do Estoril que era treinado por André Jorge. É dos poucos atiradores que conheci, que batia com a mesma potência tanto à direita como à esquerda.

Paulo Gaspar (7 Ago 65), combatente decidido com muito garra, mas com ele nada de assalto. Tinha de ser combate. Como quase todos, começou comigo em 1985. Nesta foto, venceu um Francês em 1991. Ficou com o clube de Linda-a-Velha durante algum tempo.

Raul Vital (29 Nov 65), velocidade e técnica de Boxe não lhe faltavam. Inscreveu-se no clube em 1985. Pouco tempo depois iria cumprir o serviço militar, mas sempre que podia estava no clube. Em 1991 substituiria Paulo Gaspar em Linda-a-Velha, e mais tarde retomava o clube de Oeiras. Raul perdeu em França em 1ª série (entorse) contra o meu grande amigo, camarada de clube e colega de liceu Lionel Menou, atleta muito experiente da categoria de "galos" (vice campeão de França Júnior 1980, finalista da Taça de França 1984, conquistando mais títulos depois dessa data).

Miguel Castro (15 Nov 67), nunca desistia, nem recusava o confronto e tinha uma capacidade de encaixe descomunal. Também ele iniciou-se na Parede em 1985. É certamente uma das pessoas mais corajosas que conheci na Savate. Neste combate de 1ª série contra Marcel Mendy, aconteceu o inimaginável: Miguel foi seriamente tocado, acusou o golpe, não hesitei, lancei a toalha.

Miguel comigo num estágio em França em 1987

José Pedro Barreno (26 Jul 66), "O" combatente. Já tinha falado dele. O meu primeiro aluno em Portugal. Foi-me apresentado em Agosto de 1984 por um primo meu, durante a minhas férias em Portugal. Mais pioneiro que José Pedro será difícil.
Aqui, enfrentando em 1ª série, o nº 10 do ranking mundial.
José Pedro em finais dos anos 80, dedicou-se ao ensino na linha de Sintra. Os seus alunos mais conhecidos foram Álvaro Terezo, João Rodrigues, Joaquim José, José Pedro, Mário Rodrigues, Luís Batalha, todos eles tendo combatido por diversas vezes nos nossos torneios, e posteriormente alguns passaram a orientar clubes naquela zona. Aliás , com a ajuda de José Pedro terei de publicar algo sobre esse anos na Linha de Sintra. Que me recorde, ainda foram muitos clubes.

José Pedro recebendo a Taça do melhor combatente em 1990

José Nobre (16 Fev 72), foi uma aposta para o Campeonato europeu júnior (1ª série), muita precisão e uma técnica de pernas invejável com uma extraordinária flexibilidade e potência. Comprometeu a sua participação por causa de uma lesão grave contraída num jogo de futebol. José começou em 1986 com Cristóvão em Oeiras. Só mais tarde mudou-se totalmente para Parede, onde o seu irmão Jorge treinava desde 1986. Nesta foto, Zézinho, como era conhecido, venceu o seu adversário francês.

Devo contar também, evidentemente, com Cristóvão Laranjeiro (15 Mar 59), que não foi meu aluno, ele próprio era monitor formado pela Federação Belga, deu aulas em Oeiras a partir de 1986. Por razões profissionais, dois anos depois, afastou-se, deixando a sala a João Forte.


João Ferreira, Jorge Ribeiro, Jorge Rocha, Adelino Costa, Diogo Lopes, Pedro Franco e muitos mais vieram depois, também deveriam estar incluídos nas "velhas" glórias. Que me desculpem, limitei-me a publicar os pioneiros da primeira fase.

Considero que houve duas fases distintas nos pioneiros do Boxe Francês:
- 1ª Fase - de Outubro 1985 a Dezembro 1990 (na qual tentou-se formar atletas e abrir clubes)
- 2ª Fase - a partir de Dezembro 1990 (período em que se começou a competir a nível interno)

É claro que isto, mais de vinte anos depois , para a nova geração de adeptos pouco ou nada interessa, mas é bom recordá-los, porque deram muito à modalidade e nada receberam em troca.
Não é nostalgia, mas os aqui citados e muitos mais, multiplicaram as exibições por diversos locais, participaram em eventos de outras modalidades para que se reconheça o Boxe Francês.

Será possível um dia reunir este pessoal? Já o pensei fazer há dois anos, chegando a contactar alguns, sondando a disponibilidade. Muitos responderam favoravelmente, ficando entusiasmados com a ideia. Vou voltar a pensar no assunto.....

4 comentários:

Marcelo Flores disse...

Depois de ter lido os teus últimos três posts, tenho dois comentários de natureza distinta a fazer.
Primeiro: não penses que é inútil enumerar os elementos das "Velhas Glórias" como lhes chamas. Eu sou de uma geração muito posterior mas interesso-me pelas origens e gosto de saber mais sobre elas. Não conheço muitos mas fico contente por conhecer alguns. Além d'O Pioreiro - tu próprio - tive o prazer de conhecer o José Pedro Barreno e o Raúl Vital. Depois já só conheço pessoas da geração seguinte: o meu mentor e amigo, Álvaro Terezo, o meu amigo Luís Batalha com quem ainda treinei no início e o José Pedro. Depois disto, mais antigos ou mais recentes, já é tudo malta da minha geração (eu iniciei-me em Dezembro de 1997).
O segundo comentário que pretendo fazer tem precisamente a ver com tema (pois claro), mas vai mais além. Cada vez mais me convenço que tens um acervo monumental, quer nacional, quer estrangeiro como apaixonado que és da modalidade, o que quando se pensar (tu ou alguém interessado com a tua aprovação claro) em fazer a história do BF em Portugal, haverá documentação mais que suficiente e não serão apenas meia dúzia de linhas para contar em cinco minutos. Mais dia menos dia vai sendo altura de alguém com vontade e competente levar a cabo esse projecto.

Luva de Prata disse...

Marcelo,
Obrigado pelo comentário. Nas pessoas que conheces, podes acrescentar Paulo Gaspar. Paulo esteve no estágio de Janeiro passado em Alcabideche, assim como em Sintra em 2005.
Apesar de já não estar ligado directamente à modalidade, sempre que pode, aparece para ajudar (ele é que nos arranjou a sala em Cascais), e assistir a competições.

Registar a história da modalidade em Portugal, está nos meus projectos para muito em breve.
Já propus há pouco a criação de um "Arquivo Federal", daí o meu recente empenho em tentar recuperar a tal videoteca.
Escrevê-la, já terei de contar com a participação de alguém, não sendo eu propriamente um escritor ou historiador.

Terei de contactar o José Pedro Barreno, que certamente terá muito a dizer sobre a matéria, já que me acompanhou desde o primeiro dia.

Marcelo Flores disse...

Para o que precisares tens o meu apoio já que a minha formação é em história.

Luva de Prata disse...

Só mais um pormenor acerca de José Pedro Barreno.

Além de ter tratado comigo de todas as necessidades administrativas, registos, escrituras notariais, etc.
Foi o 1º atleta totalmente formado em Portugal, o meu caso é diferente vindo eu de França, a representar o país numa gala internacional em combate de 1ª série (1986).
Perdeu, mas a decisão foi renhida, tendo sido muito elogiado por Bob Alix que era na altura DTN francês.